terça-feira, 3 de junho de 2014

O trabalho publicado por meio deste blog tem a intenção de mostrar a fotografia em seus diferentes ângulos e olhares como formadora de opinião e como ferramenta presente e inegavelmente importante ao cotidiano, seja do aluno de Jornalismo, seja de qualquer cidadão. A experiência obtida através da etapa Foto em Série mostrou que em cada lugar que se vá, cada pessoa que se conheça, sempre carrega consigo uma história, uma marca que faz dela única, e que precisa ser observada.
Observar diferentes pessoas e lugares na cidade do Recife, onde tudo acontece muito rápido por se tratar de uma metrópole, e nos tempos atuais em que a informação é gerada e absorvida muito rapidamente é menos comum do que se pensa. Quando se visita o Parque da Jaqueira, em diferentes dias seguidos, é possível notar que as pessoas que o frequentam têm muito em comum, assim como também possuem características que as distanciam umas das outras sem que ao menos tomem consciência disso, são essas características que as fazem escolher muitas vezes os grupos sociais a que se unem.
Na Jaqueira, há uma grande circulação de músicos, grupos de estudantes, ciclistas, religiosos, fotógrafos, crianças e famílias inteiras de crenças e opiniões distintas. São pessoas que se associam a seus semelhantes e muitas vezes deixam de interagir com aqueles que aparentemente não possuem características próximas de suas personalidades, isso cria uma linha imaginária separatista, fazendo com que cada grupo escolha um espaço do local público para interagir apenas com o grupo social ao qual escolheram ou a que foram acolhidos.
É nesse momento que a fotografia surge com seu papel social de unir pessoas diferentes e mostrar a muitos que as mesmas características que as separam são as que as tornam únicas e admiráveis através da arte de observar em cada um sua particularidade, o que faz cada um ser quem é. Fotografar em lugares públicos remete a uma ação que faz com que haja uma experiência de diferente contato, e de profunda análise do ambiente e das pessoas que nele transitam, é abrir-se para o novo e aprender a respeitar as diferentes características dos cidadãos que por mais distintos que sejam compartilham todos os dias, principalmente nos finais de semana, o mesmo local.
Sobre a Foto Notícia, um forte traço visto em campo é o medo que as pessoas sentem em serem registradas. O direito à publicação da imagem, bem como o uso que se faz com tudo o que se fotografa torna não só esta, como qualquer outra área da fotografia mais árdua de ser trabalhada, pois as pessoas temem o que será feito e como será veiculado todo o material produzido mesmo que se relate o fim do trabalho feito. Quando se trata de obras públicas como problemas da sociedade esse medo se mostra ainda mais forte, pois mexe com a moral do ser humano e o coloca em situação de conflito por temer que a aceitação das fotos possa gerar problemas ao mesmo, pessoal ou profissionalmente.
Notícias são encontradas todos os dias nas ruas e já se tornaram um aspecto tão comum na sociedade que diversas vezes acabam sendo ignoradas. A fotografia de rua, falando num aspecto mais abrangente, coloca o aluno em situações que raramente ele vivenciaria em ambientes fechados, é o teste de sua vontade em registrar o ser humano e suas particularidades, bem como todos os parâmetros que rodeiam a sociedade, como a deficiência encontrada na mobilidade do Recife, por exemplo. Fotografar na rua é sentir na pele o papel que tem um formador de opinião, não apenas diagramando os métodos que se pode ou sabe utilizar para o registro dos fatos, mas principalmente ativando o desprendimento de qualquer preconceito ou julgamento antecipado, e lembrando que quem fotografa precisa antes mesmo de deixar a luz ser capturada por sua lente, deixar uma marca humana no trabalho e saber sensibilizar quando muitas vezes já se foi sensibilizado pelo social comumente compartilhado, porém pouquíssimas vezes discutido.




Thais Arruda é aluna de Jornalismo e apaixonada pela Fotografia. Amante da música folk e do macro presente na natureza aprecia a simplicidade nos rostos que vê e registra no dia-a-dia.


Recurso Técnico: (nikon D3100)























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